Não, decididamente, não podia voltar a cometer erros, repetia Joaquim para si mesmo, relembrando os acontecimentos funestos do dia em que viram o filme.
Surpreendentemente, Deolinda até aceitou bem a sugestão. A princípio, mostrou-se chocada, depois, considerou a ideia sem jeito, terminando por ceder, com o argumento que se ele achava que ajudava a relação, estava disposta a fazer o sacrifício – sem confessar que tinha sentido uma desinquietante curiosidade em saber como reagiria ela a outros homens nus; “quem sabe se, imaginando-os”… Marcaram para daí a quatro dias, sábado.
Sem nada dizer à mulher, Joaquim tratou de tornar o dia especial. A ideia de ser só o filme pelo filme, causava-lhe desconforto. Decidiu elaborar “um plano mais vasto”: pediu à mãe parte do serviço Vista Alegre, os talheres Cutipol e um candelabro; comprou velas aromáticas, uma garrafa de vinho tinto – em que gastou quase sete euros – e outra de Raposeira, para aperitivo; aconselhou-se com o amigo Tavares – mais experiente nas coisas do romantismo –, sobre a música ambiente, a entrada e a sobremesa.
Chegado o dia, Deolinda foi almoçar a casa dos pais e Joaquim para a cozinha: retirou os patês La Piara das embalagens e colocou-os num prato (“mais chique”, nas palavras do amigo); fez uma salada de tomate; preparou a mousse de chocolate, certificando-se que a quantidade de água estava absolutamente como dizia no pacote (“parte umas nozes e põe por cima, tem mais pinta”); lavou os morangos, com que iriam acompanhar a mousse e partiu-os aos quartos (“uma sobremesa que é um sainete”); colocou o vinho e o espumante no frigorífico; pôs a mesa na sala; colocou o cd emprestado de Barry White a jeito (“elas ficam passadas com a voz do gajo”); as velas no candelabro, certificou-se que tinha fósforos e partiu pão. Dirigiu-se depois ao móvel da sala onde guardava algumas bebidas alcoólicas para oferecer às visitas – todas por abrir – e, de detrás delas, puxou o saco de plástico onde guardava as compras que fez na sex-shop. Retirou um dos três objectos e voltou a guardar o saco. Sorriu quando leu a embalagem: Fleur d’Amour – Incenso Afrodisíaco.
– Oh diabo, então isto é em palitos? Onde é que eu agora vou espetar isto?! – interrogou-se, coçando a cabeça. Acabou por colocar dois paus de incenso na pequena sereia que tinham na sala.
Tinha sido o presente de casamento dos avós: uma coluna com quase um metro e meio, encimada por uma jovem sereia em loiça que, posta em sossego num rochedo, entornava um cântaro. Enchido o depósito e ligada a electricidade, um motor punha a água a circular, fazendo-a cair do cântaro para uns degraus, terminando num pequeno charco, no qual a rapariga perdia o olhar.
Agora, para além do recipiente, a sereia amparava em cada braço uma espécie de lanças do amor.
boomp3.com
Reparo que o link para a música não está a funcionar como pretendido: tão depressa só se ouvem 90 segundos das miúdas, como 10. O certo é que não me está a chegar completa - apesar de estar lá toda. Quem quiser ouvir, tem de ir tentando.
ResponderEliminarOpaaa... logo esta que gosto tanto!!!
ResponderEliminarE sabes que mais gosto deste Joaquim tem iniciativa...
ResponderEliminarBelíssimas, as tuas sereias. :-)
ResponderEliminarmorangos e compras na sex-shop
ResponderEliminarummm
isto promete
abrazo serrano
Caramba!!! O Joaquim é mesmo pro-activo!!
ResponderEliminarQuem diria hein?? :)
As sereias a deitar fumo não ficarão tipo pescadinhas de rabo na boca??? :)
Modo "pause" ate ao próximo :)
Irá esforço do Joaquim ser reconhecido e compensado?
ResponderEliminarDesespero por saber.
Não se pode negar que o Joaquim é um tipo esforçado e com iniciativa! Não desiste facilmente e com esse empenho todo é mesmo capaz de fazer ressuscitar mortos!... (oxalá que não ressuscite indesejados...)
ResponderEliminarOra até que enfim, temos notícias do jovem casal! Sabe que isto é meio viciante? estava quase a ressacar como ía a cena conjugal! Sabe ainda, que a dita da serei que se fica a aolhar para o lago, de repente remeteu-me para Narcíso, mas em melhor, está claro!
ResponderEliminarQuanto á ementa escolhida pelo amigo Joaquim, já não sei se poderei aceitá-la, na medida em que, se é menino de famílias com poder finaceiro e finos gostos percebe-se pelas porcelanas e respectivo faqueiro), talevz tenha tido acesso a outras formas mais sofisticadas de preparar jantares romãnticos, ou estarei enganada?
É uma enorme salganhada, com imensa piada Rui. Aguardo cenas dos proximos capítulos e dou cursinhos de preparação de jantares on-line, caso queira aprimorar-se, pode ser???
Lol
beijos caro amigo. até breve. azul.
Isto está a aquecer!... vamos lá ver que mais sai do saco de compras...
ResponderEliminar... do "Estojo 10" para "11" fiquei com a nítida sensação que houve um corte sequencial neste série em série. Como se desembaraçou Joaquim do comprido e rugoso pénis que lhe baloiçava na mão? Levou-o para o emprego ou para casa? Vendeu-o na Feira da Ladra por meia-dúzia de euros? Se fosse o caso da acção se desenrolar nos tempos do lápis azul ainda se entendia... O autor, ao fazer tábua rasa da lógica argumentativa, amputou despoduradamente, aquela que poderia ser a peça-chave do estojo em estojo até à cena final. Comercialmente percebe-se a ideia: a mize-em-séne aqui utilizada, é chamativa e resulta,mas o produto artístico perde com isso. Imagine-se o impacto de Joaquim chegar a casa com o artigo fálico e gritar para a mulher "Querida, tenho uma prótese!". Desnecessário se tornaria Bérri Uáite, o serviço de Fazer Vista e o insenso Flaure d`Amure...
ResponderEliminarA informação do autor sobre a banda sonora, não colhe pela insuficiência: "noventa por cento das miudas" corresponde a que partes anatómicas das miudas? e que "a música está lá toda"? Lá, onde? Na Fnac do Chiado?!
Legível Boa-Vida,
Crítico de folhetins blogosféricos.
Fico esperando ...
ResponderEliminarBom final de semana.
a coisa promete...vamos ver o resultado, merece que o Fleur d'amour funcione
ResponderEliminarbom fim de semana
beijos
Como tu sabes esss coisas do Barry White ... :)
ResponderEliminarEsforçado o Joaquim. Comprou o enrugadinho ou devolveu-o à prateleira? Vou para o próximo estojo